Caríssimos(as)

Diante do resultado altamente positivo de nossa mais recente reunião, tomo a liberdade de escrever a todos com o intuito de reforçar os laços que nos unem, mediante a ampliação daquilo que pode ser compreendido como o "capital social" da Clareando. Percebi que falta-nos algo de muito elementar: o conhecimento mínimo de quem somos e o que queremos para os nossos futuros (o "desenho", físico, mas também cultural, de nossa empreitada comum). Assim, peço licença para uma autoapresentação, bem como para discorrer sobre alguns pontos que julgo pertinentes e encorajo a todos que dediquem alguns minutos para fazerem o mesmo. Os laços não se criam no vazio, mas a partir de identificações pré-existentes que devem ser explicitadas para favorecer a sinergia. Peço desculpas por falar às vezes em meu nome e às vezes em nome de minha companheira (Giuliana), uma vez que o projeto que tentarei desenhar não é de um indivíduo, mas de uma família.

Um pouco sobre mim: Meu nome é Edilson Cazeloto, 35 anos, nascido em São Paulo e sem nenhuma experiência de viver em outro lugar ou em outro contexto. Sou jornalista de profissão, atuando em emissoras de televisão por quase 10 anos. Atualmente estou deixando o jornalismo para construir um carreira acadêmica. Curso o doutorado no programa de Comunicação da PUC São Paulo, no qual pesquiso as relações entre formas tecnológicas e formas socias nas sociedades contemporâneas. Sou Omnívoro, agnóstico e gosto de jazz, modas de viola e música brega (embora não saiba muito bem o que é isso!).

O que é a Clareando para mim: A possibilidade concreta de realizar um projeto ao mesmo tempo pessoal e político. Pessoal porque almejo uma vida calcada na tranqüilidade, na paz de espírito e na contemplação. Quero dar um sentido concreto ao meu trabalho, que não se resuma ao salário no fim do mês. Quero ter tempo e condições de ler mais, ouvir mais músicas, festejar mais a vida. A Clareando, então, é uma forma de desaceleração, um ambiente no qual eu possa reduzir minha necessidade de dinheiro (e, portanto, de trabalho remunerado), sem abrir mão de uma vida culturalmente e afetivamente intensa. Enfim, sem estar fora do mundo. Político, porque não quero que nada disso seja um privilégio. Quero ter a sensação que meu estilo de vida pode ser generalizável ao conjunto dos seres humanos e que uma vida rica em realizações pode ser aberta aos que são pobres em recursos econômicos. Quero ter a sensação de viver uma forma social possível e sustentável, capaz de dar mais às pessoas que a simples distribuição de renda ou acesso aos bens e serviços do mercado. Quero viver uma possibilidade real, porque, ao contrário do que dizem os movimentos sociais, "um outro mundo NÃO é possível". Temos todos que fazer o melhor e o mais justo com ESTE mundo, transformando-o a partir do que já encontramos por aqui.

O que tenho a dar para o projeto em comum: Não tenho medo de trabalho braçal, nem busco compensações individuais. Procuro me guiar pela ética do "a cada um de acordo com sua necessidade e de cada um de acordo com sua possibilidade", ou seja, o esforço NÃO deve ser proporcional à recompensa imediata, mas ao estabelecimento de um padrão coletivo de apropriação dos frutos do trabalho coletivo.
Posso colaborar com livros e idéias, mas também como mão-de-obra não qualificada para trabalhos concretos. Estou aprendendo a fazer cerâmica, estudando um pouco de permacultura e, junto com minha companheira, fazendo cursos sobre sustantabilidade na construção.
Posso ajudar também em tudo aqulo que necessitar de comunicação, redação, organização de informações, divulgação...

O que quero receber:
Quero aprender a lidar com a terra: preparar o solo, plantar, colher. Quero aprender técnicas tradicionais de preparo de alimentos (pães, queijos...) e me interesso profundamente por tecnologias "alternativas" (adoro aquelas engenhocas que qualquer um pode construir por conta própria e que subtituem as "tranqueiras" industrializadas).

Acho que isso.

Obrigado
Edilson Cazeloto

 

OLÁ COMPANHEIROS

Então, ainda estamos em estado de graça, por tudo que vimos aí e o que não vimos, mas vislumbramos. Agradecemos (Ana, Marcio, Clô e Aluá), pela generosa acolhida, e agradecemos por vocês sonharem Clareando. Como dissemos a Hiroshi - não acorde do sonho porque entramos nele, e porque a vida merece este sonho. Neste lugar vocês poderiam ter apenas "mais um" investimento, tipo uma estância, um hotel, sei lá... poderia ser tanta coisa de grandes "lucros", mas não seria Clareando. Estamos aqui pensando como participar do sonho contribuindo para um outro mundo.

Queremos participar deste projeto, podem contar conosco, para o que der e vier. Que bom que nós, mesmo com as dificuldades, caminhamos e nos encontramos - os que respeitam a natureza os que defendem a vida, os que amam as gerações que ainda nem foram concebidas, porque as gerações passadas - também não conhecidas - deixaram-nos um legado, que muitos teimam em ignorar... que bom que nos reunimos! Até as pedras rolam e se encontram...

Foi um prazer enorme conhecê-los, Boas risadas, abraços especiais e até breve,

Ana Marcio Clô e Aluá.
2/12/2005

CONTATO COM A TERRA

Olá, é a primeira vez que recebo seu e-mail. Sou paulista de Fernandópolis (1955), com longos anos em São Paulo (Capital), depois mais alguns anos em Birigui e já há 16 anos morando em Florianópolis-SC.

Ainda ontem conversava com uma amiga sobre o seu "Unidade de Vida". Há mais de dez anos entrei em uma livraria sem saber o que queria ; minha mão foi puxada por este livro que estava em prateleira bem abaixo da minha visão(muitas vezes já aconteceu assim). Trouxe-o para casa, li algumas páginas ao acaso, ele foi para a estante. Ao longo dos anos, limpando ou arrumando os livros, ao ter o "livro verde" nas mãos, eu sempre me perguntava quem seria essa pessoa, onde moraria, o que estaria fazendo hoje, que idade teria. É interessante, mas sempre tive alguma curiosidade sobre o autor. Mas em todo esse tempo nunca li completamente o livro, nem mesmo sua biografia.

Sempre senti necessidade de estar em contato com a terra e, somente há um mês, quando consegui adquirir um lote em condomínio rural e me deparei com a necessidade de saber como lidar com o solo onde irei plantar o meu alimento, é que me lembrei do "livro verde".
Li o livro inteiro duas vezes no mesmo dia e me vi identificada, extasiada, com aquele velho/novo conhecimento. Fui para a Internet tentar localizar a Fazenda-Escola de Poções; não consegui. Ao digitar seu nome, todas as informações apareceram. E foi uma sucessão de coincidências: você nasceu no mesmo ano que eu; nasceu em Birigui, onde eu morei por 7anos e onde ainda tenho um filho morando; apesar de morar longe de SP, e mesmo sem ter nenhuma indicação, sempre falei com meu pequeno de 13 anos que deveríamos procurar
um acampamanto de férias nessa região; dois filhos estudaram e um ainda estuda em escola franciscana; o Clareando que, se não fosse tão avançado, seria nos moldes do lugar onde pretendo ir morar; é pelo sentir que sei parecer haver algo que a palavra não está onseguindo alcançar.

Bem, não sou muito informada, mas isso teria a ver com Ressonância pela Forma?
Espero não estar tomando o seu tempo.
Um fraterno abraço e paz profunda!

Dora
22/04/2005

OBRIGADO

Obrigado Sandra e Hiroshi, Pelo aconchego de sempre, pelo bom humor dos sorrisos, pela casinha com tudo dentro, comida abundante, ofurô quente, vinho, água da fonte, luz e calor, fogueira com lenha e "acendedor" de Araucária, sol, lua e um pouco de chuva para refrescar, shoyu caseiro, nabo com odor espaçoso e envolvente, vinagre de ameixa e queijo da vaquinha.

Obrigado Sandra, Pelo confortante respaldo da doutora, que nos economizou neurônios para tentarmos entender todas as letras em linguagem de tabelião, que dada a confiança que não sabemos explicar de onde vem e energia que flui para concretização dos sonhos, facilitou o encaminhamento para o tranqüilo desfecho, ou melhor, o feliz começo. Obrigado Sandra, pela hospitalidade, pela paciência e clareza, pela palavra que nos faz sentir-se em casa.

Obrigado Hiroshi, Pela enxada e pela primeira muda, que juntamente com a foto da Sandra no Tabelião, trouxe a nítida imagem da marcação do território, da bandeira no terreno e da alegria de poder começar sem ter que pensar muito, de fazer sem ter tempo para ter dúvidas. Obrigado Hiroshi, por mais histórias, mais músicas e composições encantadoras, mais palavras fortes, embasadas, convincentes e sonhadoras de uma realidade. Pelos ensinamentos e companhia agradável. Pelos ricos textos e livros encontrados na "baguncinha" que se arrumar estraga.

Obrigado Julia, Pela pura e bela alegria de um ser, pelo carinho e cuidado com a Sophia (e pelo cavalinho...).

Obrigado Pretinha, Por nos fazer sorrir, junto com as diferenças e semelhanças de mais gente nova, que se somam àquelas, em que infinitas vezes (parece já podermos dizer assim) que viemos aqui, pudemos compartilhar com piqueniques, música e represa.

Obrigado Solange, Que junto com o fruto do nosso amor Sophia, faltam sempre palavras para descrever.

Obrigado a mim, Que com trabalho duro, sonhos e dúvidas, prazer pela vida e bom humor, me permiti mais uma decisão.

Obrigado Universo, obrigado TODO, obrigado "Sem Nome"!!! Por conspirar a nosso favor sempre que permitimos, e por proporcionar a também indescritível e bela experiência de vida.

Espero poder continuar sempre lúcido para o meu melhor livre-arbítrio e que possa sempre saber a melhor forma de retribuir, transformar e colaborar positivamente com tudo.

OBRIGADO.

Marcelo
18/02/2005

POR QUE QUERO MORAR NO ECOVILA CLAREANDO?

• Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro e ter sido criada em São Paulo, sou uma apaixonada pela natureza. Acho que desde ainda adolescente, ouvindo Elis cantar Casa no Campo, assistindo seu show Fascinação aonde cantava esta música sentada em um balanço, algo ficou impresso na minha alma, um desejo , uma necessidade do contato com essa Natureza, onde tenha sómente a certeza dos limites do corpo e nada mais, plantar e colher com a mão a pimenta e o sal, ter sómente a certeza dos meus amigos do peito, quero carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim. Uma casa no campo onde eu possa ficar do tamanho da PAZ, quero o silêncio das linguas cansadas, filhos de cuca legal, uma casa do tamanho ideal de pau a pique e sapê.

E ainda quero a esperança de óculos ( vcs conhecem a turma do óculos furadinho? ) que vem através de 2 amigos Hiroshi e Sandra que estão nos proporcionando essa possibilidade, que acreditam que ainda há mais que 8 pessoas que ACREDITAM na vida, na cooperação, no ser humano.

Há 8 anos saímos de Sampa, na empreitada de uma casa no campo, com pouca verba e que só foi possível com a dedicação do Luiz meu marido à frente da obra. A casa ficou linda, diferente, eram 6800mts com nascente , tucanos capivaras, beija flores, porém faltava algo…GENTE. Para trocar, para dividir todas as mangas da mangueira, todo o café do cafezal, toda a goiaba das goiabeiras, todo o alface da horta etc… A natureza é pródiga e gosta de dar e muito e para muita gente.

Essa falta foi crescendo junto com a necessidade de mais trabalho que está em Sampa e pelas sincronicidades da vida reencontramos o Hiroshi. Eu havia feito um curso com ele de agricultura orgânica 20 anos atrás e meu marido praticou tudo o que leu no seu livro Unidade da Vida. Já mudamos para Piracaia, estamos conhecendo a cidade as pessoas que nela vivem, a sua dinâmica e estamos aguardando pacientemente o momento da construção da nossa casa pau a pique e sape do tamanho ideal de nossa alma, que ali espera a realização do nosso sonho.

Beijos até lá,
Sonia Britto

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