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Reflexões em torno de uma Ecovila
Pesquisas recentes revelam que , de cada 10 pessoas
nas cidades grandes, pelo menos seis gostariam de morar
numa cidade do interior. Já se percebeu um certo
fluxo para cidades interioranas onde o custo de vida
é menor, a qualidade do viver e das relações
é maior. Ganha-se menos, porém gasta-se
menos, e se obtém mais tempo para momentos triviais,
como passear a pé em trilhas rurais, pescar e
visitar amigos.
Muitos tiveram a dupla alegria de
comprar um sitio bucólico, se aborrecer com o
caseiro e depois
vendê-lo. O movimento das ecovilas aponta uma
direção mais amena e menos traumática
de ter que abandonar definitivamente a cidade grande,
permitindo uma transição suave entre cidade
e o campo.
Desenvolver uma segunda competência,
uma habilidade sub-utilizada mas suficiente para o ganho
essencial. Ao se escapar do furor consumista, as dívidas
diminuem e se consegue dirigir a satisfação
dos desejos por coisas mais simples. Lembro-me o encantamento
da nossa pequena Júlia quando viu pela primeira
vez um mar de vaga-lumes pulsando numa noite escura,
ou quando presenciou o sol nascendo. Como podemos mensurar
o valor e a influência desses corriqueiros acontecimentos
na vida de uma criança?
No acampamento Franciscando, durante
14 dias, cerca de 80 crianças ficam sem a telinha
do computador e da tv. No último dia sempre pergunto
: " sentiram falta ?"
E por incrível que pareça
eles nem se lembram, pois a Natureza e seus encantos
preenchem toda sua necessidade de movimento e curiosidade.
Coisas que olhos adultos talvez nem enxerguem.
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